Título

novembro 20, 2004

A noite

O escuro esconde feições e o alcool frustações…
Sem hipócrisias afirmo que: Sempre adorei a noite! E quem pode críticar quando se trata de um mundo lateral e completamente teatral, onde a entrada não é cobrada?
Para alem do seu sentido mais lúdico, a noite comporta um outro mais ousado, quase perverso! Aos olhares dos mais atentos, a noite é muito mais do que um grupo de pessoas que se junta para descomprimir uma semana violenta, a noite é uma aprendizagem!
Uma troca de olhares, um jogo de cintura, umas palavras bonitas… e os dados foram lançados! Tudo o que vem depois são artifícios, proporcionados por uma exigência hipócrita, de uma sociedade que se alimenta de postiços…
Não interessa o nome, a idade, nem qualquer ligação que se assemelhe à realidade… É um jogo, e qualquer outra percepção: é errada! A receita é simples, e acontece com admirável rapidez: um rapaz, uma rapariga e uma vontade mútua. E durante a concretização, vivem um sonho perfeitamente temporário, onde ela é para ele, e ele para ela, como sempre tivesse sido destinado este encontro casual. Uma noite, uma só noite, e acabou!
À partida sabem das regras do jogo, e lidam estupidamente bem com isso. Ambos estão conscientes deste éfemero processo, e nenhum deles quer que se altere… Torna-se mais confortável, não lutar, não contrariar e principalmente não abanar estruturas.
E os valores? Ficaram com o terceiro gin-tónico…E as afirmações? Ficaram com quem não bebe…E numa pálida indiferença, sofro com vidas gastas pelos cantos de uma discoteca, e relembro uma vida longínqua de vazio…
Sempre adorei a noite! Porque a noite é reveladora, e irónica…

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